Brasil

ABHB propõe criação de banco genético para proteger o patrimônio genético da pecuária gaúcha

Estratégia para garantir a continuidade produtiva

A Associação Brasileira de Hereford e Braford está propondo a criação de um banco genético voltado à preservação das raças da pecuária gaúcha, com o objetivo de proteger o rebanho em situações de risco sanitário, como possíveis surtos de febre aftosa.

A proposta, segundo a entidade, visa assegurar a continuidade produtiva e a segurança genética do setor, especialmente em um momento de recuperação e expansão da pecuária no Rio Grande do Sul e no restante do país.

Novo ciclo da pecuária impulsiona debate

De acordo com a ABHB, a ideia surge em um contexto de retomada da atividade pecuária, marcado por um novo ciclo produtivo, maior retenção de matrizes e valorização das categorias de reposição. Esse cenário é resultado da redução dos estoques globais de carne, da demanda crescente por proteína de alta qualidade e do retorno da pecuária a áreas antes ocupadas pela agricultura.

Para o presidente da ABHB, Eduardo Soares, a discussão sobre o banco genético é fundamental para preparar o setor diante dos desafios futuros.

“Estamos vivendo um momento muito relevante para a pecuária, com valorização das carnes de qualidade e protagonismo das genéticas Hereford e Braford em diferentes sistemas produtivos. Para aproveitar esse cenário, precisamos estar preparados como cadeia”, destacou o dirigente.

Falta de reserva genética é ponto de vulnerabilidade

Soares também alerta que a ausência de um banco genético estruturado representa um risco para o Estado, principalmente dentro do contexto sanitário do Conesul.

“O Rio Grande do Sul deixou de vacinar contra a febre aftosa há vários anos, enquanto países vizinhos continuam com a imunização. Qualquer eventualidade sanitária pode causar um dano incalculável às genéticas aqui desenvolvidas”, afirmou.

Banco genético como política de segurança

A proposta da ABHB é que o banco genético funcione como um repositório estratégico, reunindo embriões representativos das principais raças ligadas à cadeia da carne. O intuito é preservar a diversidade genética e garantir a continuidade produtiva em caso de emergências sanitárias.

“Pensamos em um banco que contemple todas as raças de importância para o Sul do Brasil, assegurando a preservação genética como política de proteção da produção e da segurança alimentar”, explicou Soares.

Próximos passos e articulações

O tema ainda está em fase inicial de discussão e deve ser aprofundado junto ao poder público e outras entidades do setor pecuário. A ABHB pretende ampliar o debate nos próximos meses, buscando o engajamento de diferentes segmentos da cadeia produtiva para construir um modelo de preservação genética colaborativo e sustentável.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio