Conab lança plataforma para certificar café brasileiro como livre de desmatamento
Ferramenta digital gratuita é apresentada em cerimônia oficial
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), lançou nesta terça-feira (24/02) a Plataforma Parque Cafeeiro — uma ferramenta pública, gratuita e de acesso universal voltada à cadeia de produção do café. O objetivo é certificar o café brasileiro como produzido em áreas sem desmatamento.
O evento de lançamento foi realizado no auditório da sede da Conab, em Brasília (DF), com a participação de autoridades federais, representantes de órgãos públicos e lideranças do setor cafeeiro, entre eles o presidente da Conab, Edegar Pretto; a secretária-executiva do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Fernanda Machiaveli; e o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), João Paulo Capobianco.
Plataforma atende regulamentação da União Europeia para desmatamento zero
A nova ferramenta foi criada para apoiar o cumprimento do Regulamento (UE) 2023/1115, conhecido como EUDR — norma da União Europeia que exige comprovação de que produtos importados, como café, não tenham origem em áreas desmatadas após 31 de dezembro de 2020.
Com o uso da plataforma, produtores podem emitir declarações de conformidade com requisitos de desmatamento zero e exportadores poderão apresentar relatórios que comprovem aos importadores europeus que os lotes de café provêm de áreas regulares.
Para o presidente da Conab, Edegar Pretto, a iniciativa representa um avanço estratégico: “É uma ferramenta pública e gratuita que dá segurança ao produtor e abre caminho para o Brasil se afirmar como referência: produzir muito, com responsabilidade, e comprovar isso com dados.”
Tecnologia integrada garante rastreabilidade quase em tempo real
O grande diferencial da plataforma está na sua arquitetura tecnológica integrada a bases oficiais de dados do governo, por meio de APIs (Interfaces de Programação de Aplicações). Essa integração permite a atualização contínua das informações, consistência dos dados e alinhamento às diretrizes de governança federal.
De acordo com Isabela Gebrim, secretária de Serviços Compartilhados do Ministério de Gestão e Inovação (MGI), a interoperabilidade dos sistemas tornou possível mapear o parque cafeeiro em todo o país e vincular propriedades produtoras às normas europeias de desmatamento zero.
Metodologia de monitoramento combina satélites e inteligência artificial
O sistema utiliza dados atualizados do Projeto PRODES, que monitora o desmatamento por satélite, incluindo a versão do PRODES Marco Temporal, que considera desmatamentos desde 1988. Além disso, a plataforma verifica se as áreas de produção cadastradas no Cadastro Ambiental Rural (CAR) têm menos de meio hectare de desmatamento após 2020 e se não existem sobreposições com Terras Indígenas, Territórios Quilombolas ou Unidades de Conservação.
O mapeamento das lavouras entre 2021 e 2025 foi realizado com uso de inteligência artificial, empregando Redes Neurais Convolucionais para analisar imagens de alta resolução e identificar plantações em produção e desenvolvimento.
Amplo apoio institucional fortalece a iniciativa
A construção da plataforma envolveu articulação entre a Conab e diversos ministérios, incluindo MDA, Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), MMA, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e Ministério dos Povos Indígenas (MPI), além de órgãos como INPE, INCRA e FUNAI.
Fernanda Machiaveli, do MDA, destacou a importância de soluções públicas para dar escala e segurança às políticas estratégicas: “Quando o Estado organiza dados com credibilidade, ele reduz custos, dá previsibilidade e fortalece quem produz dentro da lei.”
Para Guilherme Campos, secretário de Política Agrícola do Mapa, a plataforma reforça a responsabilidade ambiental do setor: “A maioria dos agricultores produz corretamente. O diferencial aqui é a fé pública da informação, que ajuda a mostrar ao mundo a responsabilidade do nosso produto.”
Setor cafeeiro vê ferramenta como avanço para exportações
Representantes da cadeia produtiva – como o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e o Conselho Nacional do Café (CNC) – consideraram o lançamento um passo importante para reduzir custos e incertezas na comprovação de conformidade com padrões internacionais.
Segundo exportadores, a existência de uma referência oficial facilita a certificação de lotes e fortalece a competitividade do café brasileiro no exterior.
Plataforma já está disponível para uso
De acordo com a Conab, a Plataforma Parque Cafeeiro já está em funcionamento e pode ser acessada por produtores, cooperativas e exportadores interessados em comprovar a origem sustentável de seus produtos internacionalmente.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio

