Brasil

Etanol de arroz surge como alternativa para equilibrar estoques e recuperar rentabilidade dos produtores

Pesquisadores discutem o etanol de arroz como estratégia para o futuro do setor

Durante a Abertura Oficial da Colheita do Arroz, realizada em Capão do Leão (RS), pesquisadores e produtores debateram uma alternativa inovadora para o futuro da orizicultura: a produção de etanol a partir do arroz.

A proposta, de longo prazo, busca oferecer uma saída sustentável diante dos estoques elevados e da desvalorização do produto na safra 2025/26.

O pesquisador Leonardo Dutra, chefe-geral da Embrapa Clima Temperado, destacou que a pesquisa agropecuária precisa responder às novas demandas da cadeia produtiva.

“Nossas cultivares ocupam grande parte do plantio de arroz. Por isso, é papel da pesquisa propor usos alternativos, como o etanol de arroz, que pode ajudar a escoar a produção excedente”, afirmou à CNN Brasil.

Segundo Dutra, o desenvolvimento genético e a experiência técnica podem permitir que o arroz alcance potenciais semelhantes aos do milho e da cana-de-açúcar na produção de biocombustíveis.

“É uma questão polêmica, mas em um cenário de muita oferta, precisamos de alternativas que garantam equilíbrio e sustentabilidade”, completou.

Crise de preços pressiona produtores e acelera busca por inovação

O baixo valor pago ao produtor, atualmente abaixo do custo de produção, tem impulsionado o debate sobre novos usos para o arroz brasileiro.

A produção de etanol aparece como uma possibilidade de diversificação econômica, que poderia reduzir perdas e estabilizar o mercado.

De acordo com o presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul, Domingos Velho Lopes, o setor enfrenta forte pressão da concorrência global.

“No mercado internacional, ofertas mais competitivas reduzem os preços em até 50%. Fizemos ajustes para buscar uma safra mais equilibrada, mas seguimos em busca de novas alternativas”, explicou à CNN.

Pesquisadores também apontam que o avanço da pesquisa poderá identificar cultivares com maior potencial energético ou desenvolver novas variedades específicas para o uso industrial.

Entraves técnicos ainda limitam o uso do arroz como biocombustível

Apesar do entusiasmo do setor, especialistas apontam dificuldades técnicas para a viabilidade econômica do etanol de arroz.

Segundo Cássio Kirchner, diretor de vendas da BASF na região Sul, o cereal apresenta baixa eficiência energética para esse tipo de aplicação.

“O arroz é basicamente composto por carboidratos, o que limita sua conversão em álcool. Já o milho, por exemplo, gera energia e proteína, o que aumenta o aproveitamento e a rentabilidade”, explicou o executivo à CNN Brasil.

Redução da área plantada tenta conter excesso de oferta no Rio Grande do Sul

Responsável por mais de 70% da produção nacional de arroz, o Rio Grande do Sul reduziu sua área cultivada na safra 2025/26 para evitar nova pressão sobre os estoques.

De acordo com o Instituto Rio Grandense do Arroz, a área semeada caiu 8,06%, totalizando 891,9 mil hectares.

Mesmo com a redução, o cenário ainda é de queda na produtividade. O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada estima rendimento médio de 7,98 toneladas por hectare, cerca de 5,8% menor que na safra anterior.

Se confirmado, o volume total deve atingir 10,2 milhões de toneladas, recuo de 12% em relação ao último ciclo.

Já a Companhia Nacional de Abastecimento projeta produção nacional de 11 milhões de toneladas de arroz em 2025/26, uma queda de 14% frente à safra passada, acompanhada de redução de 11% na área cultivada.

Perspectiva: inovação e sustentabilidade no centro da nova orizicultura

A proposta de produção de etanol de arroz surge como uma alternativa de médio a longo prazo, ainda em fase de avaliação técnica, mas que sinaliza o esforço do setor em buscar soluções sustentáveis e tecnológicas.

Com apoio de instituições de pesquisa e entidades do agronegócio, a estratégia pode representar um novo caminho para o equilíbrio do mercado e a valorização do produtor brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio