UCT de Primavera do Leste recebe novos equipamentos e passa a integrar projeto nacional de produção de plasma
A Unidade de Coleta e Transfusão (UCT) de Primavera do Leste passa a integrar um importante projeto nacional voltado ao aproveitamento do plasma humano para a produção de medicamentos utilizados no Sistema Único de Saúde (SUS). A unidade recebeu novos equipamentos científicos de congelamento e armazenamento que irão fortalecer o processamento do sangue coletado e ampliar o aproveitamento dos hemocomponentes utilizados no tratamento de pacientes.
Os equipamentos foram adquiridos por meio de investimentos do Novo PAC, do Governo Federal, em uma ação realizada em parceria com o MT-Hemocentro, que busca modernizar e fortalecer a rede de hemoterapia em todo o país.
Ao todo, a unidade foi contemplada com dois freezers científicos capazes de atingir temperaturas de até –30°C (trinta graus negativos), equipamentos de alta tecnologia avaliados em cerca de R$ 90 mil cada, além de um terceiro equipamento de congelamento rápido que ainda será instalado. Segundo a coordenadora da UCT de Primavera do Leste, Dayanne Batista, a Unidade foi selecionada para receber os equipamentos com base em “critérios técnicos, como capacidade de coleta, estrutura física e qualificação da equipe”.
Segundo ela, nem todos os municípios conseguiram atender às exigências necessárias para receber os aparelhos. “Algumas unidades não tinham estrutura elétrica ou física para instalar esses equipamentos. Aqui tivemos que fazer adaptações, mas conseguimos atender aos requisitos e por isso fomos contemplados”, explicou. Por esse motivo, além dos dois freezers já instalados, um terceiro equipamento que seria destinado a outro município acabou sendo redirecionado para Primavera do Leste.
Produção de plasma de qualidade
Com a nova estrutura, a UCT poderá iniciar um processo mais avançado de processamento do sangue coletado, permitindo a produção de plasma de alta qualidade, que poderá ser utilizado tanto em transfusões quanto na fabricação de medicamentos derivados do sangue.
O plasma excedente será destinado ao fracionamento industrial pela Hemobrás (Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia), localizada em Pernambuco, onde será transformado em medicamentos estratégicos utilizados no tratamento de diversas doenças, como distúrbios de coagulação e outras condições que dependem de hemoderivados. “A intenção é que o plasma humano não seja mais descartado. O que não for utilizado na transfusão poderá ser enviado para a indústria e transformado em medicamentos”, destacou Dayanne.
Para isso, a rotina de trabalho da unidade também passará por mudanças. O processo exige rapidez e precisão, já que o plasma precisa ser processado e completamente congelado em até oito horas após a coleta. “É um processo muito delicado. Se o plasma não for congelado corretamente, as proteínas podem se degradar. Por isso toda a cadeia precisa funcionar de forma rápida e integrada”, explicou a coordenadora.
Ampliação da coleta
Atualmente, a UCT de Primavera do Leste realiza em média 200 coletas de sangue por mês, podendo chegar a cerca de 240 bolsas em períodos de campanha. Com a nova estrutura e o novo modelo de processamento, a expectativa é ampliar esse número para aproximadamente 300 bolsas mensais.
O aumento da coleta também exigirá reforço na equipe da unidade, já que o trabalho passa a envolver novas etapas de processamento e controle dos hemocomponentes. “A nossa rotina vai mudar bastante. É praticamente como se a unidade se tornasse uma pequena cadeia de produção, com equipes coletando, processando e liberando os hemocomponentes”, afirma a bioquímica.
Atendimento regional
Além de atender a população de Primavera do Leste, a unidade também presta suporte aos municípios de Campo Verde, Paranatinga e Poxoréu, que dependem do serviço para transfusões realizadas em hospitais e unidades de terapia intensiva. Juntos, os quatro municípios somam uma população aproximada de 200 mil pessoas.
Com a nova estrutura, a unidade também passará a produzir o próprio plasma utilizado nas transfusões locais. Atualmente, parte desse material ainda precisa ser buscada em Cuiabá. “Agora poderemos utilizar o plasma produzido aqui mesmo e ainda enviar o excedente para a indústria, garantindo melhor aproveitamento das doações”, concluiu Dayanne.

